segunda-feira, 25 de maio de 2009

O professor e as novas tecnologias

São muitos os desafios que permeiam o fazer pedagógico na escola atualmente: as transformações de conceitos e de conhecimentos, a apropriação de novos recursos cognitivos, a inclusão de novas tecnologias na sala de aula, a criação das comunidades virtuais, a possibilidade já concretizada do ensino à distância. Esta novas características podem ter um caráter altamente problemático, principalmente para os docentes formados há muitos anos, com muitas características do ensino tradicional e que, muitas vezes, apresentam certa resistência a incorporar estas “novidades”.

A formação de professores precisa incorporar as novas tecnologias, ter um caráter interdisciplinar ou multidisciplinar, aproveitando conhecimentos e saberes de diversas áreas. O professor deve repensar a sala de aula como um espaço que não seja fechado e isolado do mundo, pois as navegações dos alunos pelos espaços virtuais da internet não foram construídos exclusivamente para eles, daí a importância da orientação, da mediação e da intervenção pedagógica dos educadores nesses espaços, objetivando a construção dos conhecimentos e das competências

A concretude de um trabalho pedagógico integrado com as novas tecnologias exige novos olhares, novas leituras de mundo e novas rotas (metodologias e projetos) da equipe docente e da equipe gestora. Com esse impacto do uso de novas tecnologias de comunicação e de informação, que potencializam novas discussões e produções no contexto educacional, provocam também o questionamento referente ao processo de inclusão escolar de pessoas com e sem deficiências temporárias ou permanentes de adaptação nessa nova perspectiva.

Pensar programas integrados, elaborar projetos didáticos contextualizados, selecionar softwares adequados às aprendizagens dos educandos, organizar o ambiente multimídia e demais ferramentas são alguns indicadores relativos ao trabalho da Coordenação Pedagógica em parceria com o trabalho dos educadores, revelando as múltiplas possibilidades para favorecer a compreensão dos alunos, potencializando e colaborando à geração de novas propostas de estratégias do ensinar e do aprender.

Neste sentido, cabe ao professor ser capaz de estimular e promover:

1. Informação atualizada (Estar sempre atentos às novas possibilidades de acesso à informação e à tecnologia, não ignorar e nem tratar com desdém os avanços tecnológicos).

2. Ampliar o alcance das salas de aula (Não é mais possível se pensar em construir novos conhecimentos e nem se pensar na formação de cidadão críticos e conscientes somente no interior das quatro paredes de uma sala de aula, pois o “mundo”acontece lá fora.)

3. Construir novos ambientes educativos (Incorporar possibilidades de ensino à distância e de novos ambientes “extra – escolares” como possibilidades de estimulação e de desenvolvimento de diferentes competências nos alunos e também nos professores).

Enfim, trabalhar com educação numa perspectiva transformadora é pensar em incorporar as transformações na própria formação do educador, a escola não pode mais se manter a margem destas mudanças.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Paulo Freire: Contribuições na área curricular.

Paulo Freire aborda questões sobre a formação social brasileira e apresenta alternativas para a área educacional referentes à educação como prática da liberdade; discute as relações entre poder e servidão; focaliza a dinâmica do processo de dominação e critica a escola tradicional. Sua ênfase direciona-se à educação de adultos em países subordinados e como a ordem mundial os hierarquiza.
Sua crítica ao currículo relaciona-se ao conceito de educação bancária, em que se aponta que o modelo de educação bancária é algo que existe fora e independente das pessoas envolvidas no ato pedagógico. A concepção educação bancáriaé indicada como instrumento de opressão aos oprimidos. Busca uma alternativa à concepção bancária, que ele denomina de educação problematizadora.
Romper com esse modelo de educação bancária envolve uma compreensão diferente do que significa conhecimento e conhecer, para isso, propõe-se um modelo de educação problematizadora. Ao propor a educação problematizadora, Freire aponta que ela deve enfatizar a comunicação e a intencionalidade de auxiliar os alunos na aquisição de elementos conscientizadores sobre sua realidade. Ele advoga que não há educação que seja problematizadora e humanizante se não houver comunicação horizontal entre conhecimento e sujeitos.
Para que haja comunicação eficiente entre educando e educador é preciso que este último seja capaz de conhecer as condições estruturais em que o pensar e a linguagem do povo, dialeticamente, constituem-se.
O conhecimento, na educação problematizadora, é sempre o conhecimento de alguma coisa, não havendo separação entre o ato de conhecer e aquilo que se conhece, o conhecimento é intencionado. Por isso, considerar os saberes advindos do cotidiano das pessoas que procuram a escola é um princípio do modelo de educação problematizadora.
Favorecer aos alunos saberes que os auxiliem na compreensão de sua realidade, possibilita que não mais sejam passados para trás sobre questões de direitos. Na concepção de Freire, é por meio dessa compreensão sobre sua realidade que os homens educam-se, intermediados pelo mundo que conhecem e que podem conhecer. Mas alerta professores e alunos de que o ato de aquisição do conhecimento deve pautar-se nos princípios das relações democráticas entre sujeitos e conhecimentos – ato dialógico.
Sendo assim, acredito que a Educação Problematizadora deve fazer parte das ações pedagógicas contemporêneas, afinal, claramente pouca coisa mudou desde que Freire fez a sua proposta. Assim, a partir da compreensão da realidade e da contextualização dos saberes será possível exercer a possibilidade de transformação desta realidade, do conhecimento de seus direitos e deveres e principalmente da apropriação de sua cidadania.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A TV e a Educação.

Nada por si só é ruim ou bom. Qualquer ferramenta utilizada em educação, se não for pensada e conduzida com os devidos cuidados e considerações pode acabar se transformando num desastre, que dizer então quando esse processo ocorre na educação formal?
A Televisão ou a “teleaulas” são responsáveis pela democratização ao acesso a conteúdos e informações que anteriormente estavam restritas a livros, apostilas, e outros recursos nem sempre de fácil acesso à maioria das pessoas.
Através das imagens é possível explorar um universo riquíssimo que pode contribuir de forma muito significativa na formação dos alunos, assim como estimular sua criatividade e sua percepção acerca da realidade sócio-cultural mais ampla.
Em uma aula é possível visitar algum país distante, conhecer costumes e características de outras culturas, vizualizar de forma mais dinâmica planetas, estrelas, vida submarina, o corpo humano, etc. Sem dúvida tais possibilidades enriquecem e dinamizam a processo de ensino e aprendizagem, devemos contudo atentar para o fato de que tais recursos são ferramentas e instrumentos do processo e não o objeto central das aulas e do currículo, caso contrário corremos o risco de substituir a interação professor-aluno e aluno-aluno, por um “telecurso”! Cabe ao professor compreender tal utilização como uma possibilidade e não como um fim.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A LDB e a Educação no Brasil.

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) constitui-se como a referência para a estrutura, organização política e administrativa, o financiamento, a formação dos profissionais, o currículo, a educação básica e o ensino superior, e todos os temas relacionados à educação formal, ou seja, aquela desenvolvida nos sistemas de ensino, e em suas respectivas redes pública e privada.
Essa é a principal lei da educação, e é a partir dos seus princípios, diretrizes e bases que se organiza todo o sistema de ensino do país.
A trajetória da LDB, desde sua definição na Constituição Federal de 1988 até sua publicação no Diário Oficial da União, em dezembro de 1996, traz uma trajetória de lutas políticas intensas entre diversos segmentos da sociedade. Esse intenso debate político marcou a trajetória, a forma, o sentido e o conteúdo da LDB, tanto que inúmeros comentadores desta lei argumentam sobre seu caráter eclético e até mesmo contraditório em diversos temas e proposições.
Os interesses em disputa na formulação da LDB foram diversos, com destaque para os empresários da educação básica e do ensino superior, as igrejas, em especial a igreja católica, os órgãos do poder executivo, principalmente o MEC (Ministério da Educação), a classe política, os profissionais da educação, e seus respectivos representantes sindicais, as organizações e entidades científicas e acadêmicas vinculadas à educação. Esta constituição acaba por apresentar um documento que não necessariamente reflete os problemas, as necessidae e preocupações da classe do magistério.

Em relação à Educação Infantil as mudanças e proposições são bastante significativas, embora, em muitos casos, tais proposições ainda não tenham se efetivado na prática cotidiana das escola.
A educação infantil até a LDB esteve sob a supervisão e a orientação da área da assistência social (serviço social), pois se entendia que o atendimento de crianças de 0 a 6 anos deveria concentrar-se apenas no cuidar, e não no educar.Com a nova LDB, o cuidar e o educar são tratados de forma integrada e indissociada, tanto que a educação infantil passa a ser dividida em duas etapas: de 0 a 3 anos de idade, o atendimento deve ocorrer em creches, e de 4 a 6 anos, nas antigas pré-escolas, atualmente chamadas escolas de educação infantil.

Neste sentido, percebe-se que a LDB instituiu o processo de descentralização da proposta educacional e a mercantilização da educação básica e do ensino superior, pois todas as legislações decorrentes desta lei indicam essa tendência pois, a partir da promulgação da lei, ocorreu um aumento significativo no número de instituições, principalmente de ensino superior.
A crítica que se estabelece a partir disto é a de que o Estado tem, cada vez mais, se eximido da participação na educação, transferindo, principalmente em relação ao ensino superior, esta responsabilidade para empresas privadas. E, partindo das avaliações produzidas pelos orgãos oficiais do governo e das análises de especialistas, este procedimento não tem garantido a qualidade mínima necessária para a formação de profissionais qualificados e de cidadãos capazes de reivindicar condições melhores de vida em sociedade. Cresce o analfabetismo funcional e a má formação de profissionais, inclusive a formação docente.
A pergunta que fica é: Até onde teremos que ir para nos mobilizarmos em função de uma educação pública, laica e de qualidade???

Analfabetismo funcional

Tenho acompanhado pesquisas e discussões que refletem que muitas pessoas consideradas "alfabetizadas" constituem-se na verdade em uma grande massa de analfabetos funcionais. (Vide a última avaliação educacional em nível nacional)
Ou seja, pessoas que conseguem ler mas que não compreendem o que estão lendo, que não conseguem ter uma visão e uma postura crítica em relação ao que lêem, que não conseguem interpretar o texto lido.
Tenho vários alunos nesta condição. Incapazes de realizar uma leitura crítica, incapazes de interpretar o que lêem!
Neste sentido acredito que pessoas que conseguem fazer compras, conferir o troco, pegar ônibus, ler orientações, placas, outdoors, entre tantas outras exigências da vida cotidiana desenvolveram formas de "ler" e "interpretar" a realidade e desta forma enfrentarem os desafios da vida, porém não são capazes de compreender e de ler o contexto no qual estão inseridas de forma crítica. Acreditam em quase tudo o que vêem, são ingênuos e fáceis de manipular.
De que adianta os números e as estatísticas demonstrarem um aumento da escolaridade se isso não corresponde ao aumento da qualidade da formação geral dos alunos?
O fracasso da educação no Brasil extrapola os limites individuais, é um fracasso coletivo, que apresenta reflexos sociais, econômicos e principalmente de credibilidade internacional. Fracassamos todos, professores, alunos, sociedade e fracassa principalmente nossa perspectiva de um mundo mais justo, menos excludente e mais humano.
Mas, quem se importa, se as estatísticas demonstram o crescimento da inserção e a diminuição da evasão escolar?